alpendre4


Ligia Clark
dezembro 3, 2009, 10:59 am
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“Para mim o objeto, desde caminhando, perdeu o significado, e se ainda o utilizio é para que ele seja o mediador para a participação. As luvas sensoriais por exemplo são para dar a medida do ato e também o milagre do gesto na sua espontaneidade que parece esquecida. Em tudo que faço há realmente necessidade do corpo humano que se expressa, ou para revelá-lo como se fosse uma experiência primeira (…) Para mim, tanto as pedras que encontro ou os sacos plásticos são uma só coisa:  servem só para expressar uma proposição. Não vejo porque negar o objeto somente porque o construimos. O importante é o que ele expressa.”



planos no espaço
novembro 26, 2009, 9:59 pm
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Não sabemos  ainda as relações que esta proposta mantém com as anteriores, mas é uma experiência recente. Tem a ver com o plano ampliado no espaço. conquistar espaço, amplitude. Temos falado disto em relação ao olhar, à ação,  à desvincular-se do chão.  Nesta proposta temos mais possilibilidades de localização. Outros planos. Outra relação entre bailarinos. Os platôs: isolamento e composição ao mesmo tempo. Assim temos mais espaço entre. O curioso é que parece que mesmo assim ainda estamos naquela relação de interdependência.



convera com a Gabi.
novembro 26, 2009, 8:22 pm
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“Tem uma diferença  entre o gesto que apoia e o outro gesto. Eles tem funções diferentes.” (será que um tem função e o outro não , Gabi? Mas função relativa a que?)) Ela pensou nisto assistinto a proposta-danca da mesa, bem aqui em baixo.

Fiquei pensando também … Que outro gesto é este que não apoia? Não é apoio do corpo (tronco / cabeça ) sobre a mesa.

Sempre retornamos nestes gestos, . Eles pontuam como ponto e virgula; espaçam o tempo dos movimentos, ou recomeçam um movimento, mudam a direção.   Porque voltamos neles o tempo todo?  Eles são um jogo entre os três?  Tem o blefe, o olhar que espera, procura adivinhar, um gesto que disfarça intenções.  São também a procura de algo;  A espera de alguma coisa que venha nos preencher, nos chamar para o movimento.

Conversa com Gabi Cristófaro



mesa
novembro 20, 2009, 9:31 pm
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mesa (em “a vida submarina” de Ana Marques Martins)
novembro 20, 2009, 2:11 pm
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mesa

mais importante que ter uma memória é ter uma mesa

mais importante que já ter amado um dia é ter

uma mesa sólida

uma mesa que é como uma cama diurna

com seu coração de árvore, de floresta

é importante em matéria de amor

não meter os pés pelas mãos

mas mais importante é ter uma mesa

porque uma mesa é uma espécie de chão que apoia

os que ainda não cairam de vez.


Livro de poemas da Ana Marques Martins publicado pela scriptum.

Ana é nossa amiga e irmã do Lourenço.



19 11 09
novembro 20, 2009, 12:30 pm
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Um chão em cima de outro parado.

Um chão que move em cima de outro parado

Qual chão que move e qual está parado¿

No final da dança fiquei confundida sobre qual chão era o móvel, meio que mareada pelo balanço e a relação dos dois chãos.

Comecei dançando tentando acompanhar o chão fixo e tentando estabelecer, muito suavemente, uma relação entre os dois.Tive a sensação que foi virando um tango, uma dança de dois . Eu e o platô. Assim como estabelecemos uma relação quando estamos dançando com alguém quando dançamos uma dança de dois, um contato improvisação ou um tango estabeleci esta relação com o platô tendo como suporte o tablado.Um pouco diferente da relação que estabelecemos com cadeira porque precisava do chão pra que isso acontecesse.

Sabe aquilo que falávamos do “entre” na publicação do SPC, foi mais ou menos isso que senti…um entre.Com uma intimidade de casal,e delicioso como dançar com um amor….Quando a tana entrou, tive que dividir não a intimidade, apenas o espaço, e ele se tornou mais estável  e preciso em alguns sentidos mas mais imprevisível e surpreendente, o que dá uma cor ao acontecimento.

 

Quando tiramos a música os acontecimentos nos trouxe um vigor, como se o que ditasse já não fosse a delícia de ser levado por uma música para ser dançada a dois, mas a crueza das situações e a dureza dos chãos…

Pensei mais uma vez na instabilidade das relações, de como elas são imprevisíveis e de como as situações são insólitas, não tem lugares determinados.

Pensamos em uma mesa de café, uma situação imprevisível e sulrreal…

 



camamesa primeiroandar
novembro 20, 2009, 12:21 pm
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ainda pensando no plano de trabalho
novembro 18, 2009, 4:54 pm
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Podemos ser cronológicos, podemos fazer recortes, pensar por importâncias, estar mais na poesia visual que criamos ao longo dos processos, estar mais no exercício, estar na relação com os outros(público) e portanto escolher a experiência de quem é convidado a entrar no quadrado, estar nas experiências individuais de cada um, estar na coordenação destas experiências no coletivo, propôr um recorte significativo, uma conversa visual ou textual….



plano de trabalho
novembro 18, 2009, 4:46 pm
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Ainda pensando o que queremos, o que quero. Ou melhor o que escolhemos mostrar, demonstrar…doar (ih… do ar) e de que maneiras. O exercício de mover-se, perceber,dizer.

O que fizemos e ainda estamos por fazer?  O que é importante, o que pode não ser dito. Ou não precisa, ou não deve ser dito? O que queremos compartilhar? Queremos disponibilizar para ser experenciado também? O que é de cada um? O que é de todos? Como cada um escolhe sua experiência e escolhe compartilhá-la? Cada um de nós quatro, cada lado do quadrado também, cada um que passa por este plano e a relação entre estes (cada um), as relações impossíveis de serem ignoradas no tablado, quando um e outro estão ligados pelos ritmos e reações/ As relações possiveis e as ignoradas. O que esgotamos e o que aponta? O que mantém relações com outras coisas?

Semana de pensar sobre isto:exercício de projetar.

Como é que… o que nos faz escolher como apresentar o trabalho? Curioso



só resto
outubro 29, 2009, 9:17 pm
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Condução Lourenço
outubro 29, 2009, 8:41 pm
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O chão proponente de desequilíbrio.

Pode existir um super controle do platô (como nesta imagem), quando sabemos exatamente para onde  deslocar, pender nosso eixo, pisar, caminhar,ou posicionar quadris e braços para produzir determinado movimento ou para freá-lo. Mas o que o Lo propôs para esta semana é que deixássemos as reações do chão nos produzir abalos; em outras palavras não tentássems prever,antecipar suas reações. Por decisão desconectarmos dele  e deixarmos que ele “puxe nosso tapete”. Porque existe uma diferença entre o desequilîbrio que parte do meu prórpio eixo (como em exercícios de solo) e do desequilíbrio que parte das reações do platô, do chão. Neste caso, não sabemos para onde ele irá nos empurrar, nem como nem com qual intensidade. É claro que isto exige uma atenção redobrada.



proposta física- janelas
outubro 28, 2009, 11:30 am
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Proposta de Condução- Sequência de proposições livres sobre o tablado. Textos – Quintana

TAna- Janelas portas/ lados/ entradas/ saídas—- É só sentar em frente à uma janela, com uma cortina,  e vê-la  tomar formas. Não olhar para os lados



discussão sobre possibilidades- procedimentos, métodos… maneiras de…
outubro 19, 2009, 12:35 pm
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Iniciar os procedimentos desta pesquisa com planejamentos alternados. Cada semana, um dos quatro conduz as práticas. No primeiro mês as conduções podem não ter relação ou serem disconexas umas com as outras. Assim temos maior liberdade de propôr coisas, fazer vontades, ter idéias, gastar, exercitar a ação. No segundo mês podemos definir já alguns caminhos que forem para nós, naquele momento, mais importantes, como direções primordiais. Dentro destas direções, os planejamnetos alternados então seguem em relação ao anterior, em continuidade ou questionando, afirmando ou duvidando das práticas anteriores.

Algumas ferramentas possíveis:

Assistir à outros corpos, pela primeira vez neste espaço (é tão interessante observar outras pessoas quando sobem no plano), as estratégias de cada um, as torções no corpo, como mãos se comportam, rostos, deixando claro o conflito “equilíbrio”. Registrar estas pessoas? Filmar?
Visitas/outros: Adriana, Tuca e Karina; Maurício Leonard; Carlos Teixeira.
Colaborações- procura de atravessamentos com outros pensamentos- leituras, práticas, referências
Experiências paralelas ao plano: outras experiências sob o plano, recorte, moldura, mobilidade.
Posicionamento do plano, transportá-lo para outros lugares, fora do studio. Obra do CASA (Centro de ARte), espaços externos, internos? Onde seria possível? O que muda? Posicionamento alinhado, desbalanciado; muito alto, no chão quase encostando no chão, a um, dois, três metros? o que muda?
Experiências no Plano: com duas pessoas, três , quatro? uma pessoa. quem está fora? o que pensa? como se relaciona com que está dentro? Dentro-fora. O ALpendre: lugar de observar- ligação, passagem para o externo.



planos
outubro 9, 2009, 5:49 pm
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Untitled-1 Pensamentosinhos/desenhos………. planos para fazer:

E se tivéssemos outros planos, limites para trabalhar; criando referências para o platô suspenso,  semelhanças, diferenças, comparações?

Temos, aqui no nosso espaço, um pequena mesa quadrada, de 2×2, com pés. Ela é baixa (como as mesas orientais) e faz parte do cenário de outro espetáculo. É firme, fixa, não se move,  mas tem a limitação espacial do platô.  Mora aqui também, neste galpão,  uma mesa que pertence ao nosso amigo/parceiro Sérgio Penna. Ela tem rodinhas. Pensei que ela tem também uma mobilidade, como tem o platô, mas de outra ordem,,,,,, que vem de baixo,,, dos pés. Mesa que anda. O Bernardo Zama, um físico, colaborador da pesquisa “Objeto de Vôo”, tem a idéia de um plano recortado que estivesse apoiado sobre muitas bolinha de gude. Tudo isto dentro de um limite – bordas para que as bolinhas não escapem. Este “chão” se move quando reduzimos seu atrito com o piso.

Tem também a possibilidade de desafinar o platô suspenso criando inclinações diversas.

……………………………………………………………………………………………………………………………… só exercitando pensamentos/desenhos.desenhos alpendre



A invenção da paisagem
setembro 28, 2009, 12:11 pm
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Lendo:  a invenção da paisagem de Anne Cauquelin.

A paisagem que se forma enquanto organizamos objetos-corpo-dados (“distância, orientação, pontos de vista,situação,escala”) e também valores; que é ao mesmo tempo uma idéia de paisagem, lembrança, projeção, perspectiva.

Então fiquei pensando no platô , no alpendre, nesta relação dentro fora, no encontro e aproximação, no limite. E pensei no quadro, na pintura, janela,  nas relações entre plano, dimensões, representação.

“Não seríamos (…)nós, testemunhas e doadores, enquanto pensamos ver o ‘real’ fora de nós, cativados pela imagem que construímos e da qual somos parte (…)? A (…) paisagem se dá pelo olhar dos outros, quando a doadora, só com um movimento da mão, faz o gesto de desvelamento e inaugura aquilo que por um longo tempo será para nós o ‘real’. “



primeira prática
setembro 16, 2009, 3:03 pm
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Primeiro dia de prática:

Solos no platô…..Parado, olhos fechados. Equilíbrio , pequenas oscilações- os pés procuram um chão como anteparo referência, mas o chão não se comporta. Parece que o chão acompanha meu eixo, se afasta e acompanha, afasta e acompanha…..Andar empurra o chão para trás. O mundo também mas ninguém vê.                               Dança só de braços; Oscilação de braços , torção, giros, circulos/ Rotação do tablado, movimento  do tablado em parafuso–quando estou no centro: Movimento contínuo; quando nas  extremidades: Movimento disforme.                                 É difícil manter um ritmo lento,,,,,,,,, o chão acelera. Tentar manter um ritmo lento-grande esforço.   A queda para ;quando há queda, ganho um momento de estabilidade: o peso;  aceleração para baixo/ força maior no chão

Um Duo: Estou presa ao movimento dela; Como se ela estivesse me enfeitiçando; minhas coordenações estão prontas para estarem em função das dela                   Uma de nó deita no chão, quando tem um corpo no chão, deitado, que não se meche por força própria: Estabilidade: peso de novo, quanto mais gente no chão, mais peso.



outras pessoas -cada um
setembro 13, 2009, 9:03 pm
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Há algumas semanas nosso chão foi suspenso sobre o tablado. E ali  tem ficado, montado. Não iniciamos ainda nenhuma pratica direta e organizada, mas um encontro se passou ali e resolvi registrá-lo.

Uma turma de alunos de Arquitetura da PUC-Minas, por meio do prof. Mauricio Leonard (arquiteto e também performer), nos procurou para contribuir com suas experiências a respeito de projetar através do corpo. Com eles desenvolvemos uma prática com o uso de objetos no espaço.  Entre esses objetos estava nosso platô.

Observei algumas estratégias corporais enquanto as pessoas tentavam decifrar o objeto: O braço direito jogado na diágonal empurra o AR. As mãos estão cerradas,Pés puxam o chão com os dedos,Pés arrastam sobre o chão, joelhos esticados, pernas rígidas, passos rápidos e curtos, Uma dança estranha,  Nada no  quadril, olhar para o Chão, pés não desgrudam do chão, Quadris ainda fixos. Enfim um alívio… quatro Apoios. Mais liberdade, mãos agora puxam o chão, queda…. no chão outro plano, giro, caminhada de quatro apoios, queda, de novo em pé, pausa………………. tudo ainda se move mas o corpo tenta controlar…. ondas, olhar para fora, primeira vez, ainda existe  um fora. Um banco sobre um chão que se meche. Movimento a favor, ampliação do pêndulo, tempo longo, balaaaaaaaanço, contra movimento, a frenagem. de novo queda, e outra estratégia: abandonar o barco.

Conversas sobre um diálogo, escutar , sensibilidade, a estrutura do corpo, arquitetura, espaço corpo espaço coisas-objetos, harmonia, desarmonia, e outros disparos que agora não me lembro mais.



jõao cabral de melo neto
setembro 3, 2009, 11:16 pm
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” (…) Então o alpendre e a bagaceira
se transformam em laboratório:
pois vistas a esse tempo lento,
como se sob um microscópio,
as coisas se fazem mais amplas,
mais largas, ou mais largamente,
e deixam ver os interstícios
que a olho nu o olho não sente,
e que há na textura das coisas
por compactas que sejam elas;
laboratório: que parece
tornar as coisas mais abertas
para que as entremos por entre,
através, do fundo, do centro;
laboratório: onde se aprende
a aprender as coisas por dentro(…)”

João Cabral de Melo Neto (O alpendre no canavial)

Alpendre tem um étimo com hipótese comum e sem história satisfatória, alpend. Tem a ver com apêndice, com anexo, mas também com pender. Depois com uma espécie de pequena extensão para fora, uma superfície. O alpendre é um espaço que vem como lugar de encontro e de pouso, uma espera. Mas pode ser passagem, contingência e instante. Um alpendre é também seu próprio ermo.
(texto de apresentação da Série Alpendre de Poesia
coordenada por Carlos Augusto Lima e Manoel Ricardo de Lima)