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Espaço Ampliado- contraste- by tanaguimaraes
fevereiro 25, 2010, 7:57 pm
Filed under: Anotações: ensaios/práticas | Tags: ,

2 Comentários até o momento
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Olá pessoal da Cia Suspensa, como vão? Apesar da minha curiosidade no trabalho de vocês, infelizmente não vou poder vê-los, tenho ensaio agendado para o mesmo horário… pena! mas vamos nos encontrar. Um abraço

Comentário por João Costa Lima

queridos, foi um prazer conhecê-los, apesar de não conseguir ver a apresentação de vocês. Espero re-encontrá-los em breve. Beijos!

Olha, aqui passo um texto da Lygia Clark sobre o plano: ”
“o plano é um conceito criado pelo homem com um objetivo prático: satisfazer sua necessidade de equilíbrio. o quadrado, criação abstrata, é um produto do plano. marcando arbitrariamente limites no espaço, o plano dá ao homem uma idéia inteiramente falsa e racional de sua própria realidade. daí os conceitos opostos como o alto e o baixo, o direito e o avesso, que contribuem para destruir no homem o sentimento de totalidade. é também essa a razão pela qual o homem projetou sua parte transcendente e lhe deu o nome de deus. assim ele colocou o problema de sua existência – inventando o espelho de sua própria espiritualidade.

o quadrado adquiria uma significação mágica quando o artista o considerava como portador de uma visão total do universo. mas o plano esta morto.a concepção filosófica que o homem projetava sobre ele não mais o satisfaz, assim como a idéia de um deus exterior ao homem.ao tomar consciência de que se tratava de uma poética de si mesmo projetada para o exterior, ele compreendeu ao mesmo tempo a necessidade de reintegrar essa poética como parte indivisível de sua própria pessoa.foi também essa introjeção que fez explodir o retângulo do quadro. esse retângulo em pedaços, nós o engolimos, nós o absorvemos. anteriormente, quando o artista se situava diante do retângulo, projetava-se sobre ele e nessa projeção carregava de transcendência a superfície. demolir o plano como suporte da expressão é tomar consciência da unidade como um todo vivo e orgânico. nós somos um todo e agora chegou o momento de reunir todos os fragmentos do caleidoscópio em que a idéia do homem foi quebrada, reduzida a pedaços. mergulhamos na totalidade do cosmos, vulneráveis por todos os lados: o alto e o baixo, o direito e o esquerdo, enfim o bem e o mal – todos os conceitos que se transformam.

o homem contemporâneo escapa às leis da gravitação espiritual. ele aprende a flutuar na realidade cósmica como em sua própria realidade interior. ele se sente tomado pela vertigem. as muletas que o amparavam caem longe de seus braços. ele se sente como uma criança que deve aprender a equilibrar-se para sobreviver. é a primeira experiência que começa.”

lygia clark, 1983

Comentário por João Costa Lima




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